Incorporadoras elevam lançamentos em 36% em 2019

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A combinação de taxas de juros em queda, maior oferta de crédito habitacional, aumento da demanda por imóveis - principalmente na cidade de São Paulo - e, nos últimos anos, da redução dos distratos e, consequentemente, dos estoques, levou as incorporadoras de capital aberto a fazerem fortes apostas em lançamentos de projetos no ano passado. As prévias operacionais já divulgadas apontam crescimento de 36% do Valor Geral de Vendas (VGV) apresentado ao mercado, na comparação com 2018, para R$ 22,595 bilhões. As vendas líquidas tiveram expansão de 27,2%, chegando a R$ 19,451 bilhões. Houve aumento na comercialização de lançamentos e de estoques. O Valor consolidou dados da Cyrela, Direcional Engenharia, Even Construtora e Incorporadora, EZTec, Helbor, MRV Engenharia, RNI Negócios Imobiliários, Tenda e Trisul. Foram consideradas as participações próprias das companhias nos empreendimentos, sem incluir as fatias dos sócios nos projetos. No quarto trimestre, as nove incorporadoras do levantamento fizeram lançamentos de R$ 8,162 bilhões, o que representa crescimento de 21,9%. As vendas líquidas aumentaram 11,3%, para R$ 5,743 bilhões. No ano passado, o VGV lançado pela EZTec aumentou 152%, para R$ 1,898 bilhão, alcançando 95% do topo da meta revisada para o ano, cuja faixa era de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões. A meta para este ano é lançar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões. As vendas líquidas cresceram 158%, para o valor recorde R$ 1,562 bilhão. De outubro a dezembro, os lançamentos da companhia fundada por Ernesto Zarzur tiveram alta de 80%, para R$ 934 milhões, e as vendas líquidas, expansão de 90,5%, para R$ 543 milhões. “Tivemos volumes relevantes de vendas em períodos como Natal e Ano Novo em que, dificilmente, havia a mesma representatividade. As vendas têm ocorrido em unidades para as rendas alta, média e média-baixa e até em salas comerciais”, conta o diretor financeiro e de relações com investidores da EZTec, Emilio Fugazza, acrescentando que os preços dos lançamentos estão superiores aos dos produtos apresentados ao mercado anteriormente. Fugazza ressalta que, diante de juros em queda e de reformas aprovadas, investidores estão buscando outras formas de aplicar seus recursos. Isso beneficia o setor imobiliário tanto pela maior demanda por unidades quanto pela possibilidade de melhora das condições de crédito habitacional. Outro ponto destacado pelo executivo da EZTec é que a aprovação da reforma da previdência torna imóveis mais atrativos como segunda fonte de renda para aposentadoria. Na avaliação do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, haverá crescimento de lançamentos e vendas de imóveis dos padrões médio e alto, neste ano, em função da maior oferta de crédito e da melhoria de renda. “A grande revolução do crédito foi a Caixa Econômica Federal passar a oferecer financiamento imobiliário atrelado ao IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo]”, afirma Martins. O representante setorial acrescenta que, mesmo que lenta, a redução do desemprego começa a se refletir no aumento da confiança por parte de quem está empregado. Martins diz que espera que o comportamento de lançamentos e vendas sejam inversos, neste ano, na média nacional e em São Paulo, quando comparados a 2019. No país, a expansão tende a superar a do ano passado, segundo o presidente da CBIC, puxada por mercados como Salvador, Recife e Brasília, que começam a se recuperar. Já na capital paulistana, o aumento de lançamentos e vendas será, na expectativa de Martins, inferior ao de 2019, considerando-se a base de comparação mais elevada. Em relação ao segmento de baixa renda, Martins espera que, no máximo, lançamentos e vendas alcancem os do ano passado no mercado nacional. De modo geral, no mercado, espera-se continuidade de melhor desempenho de lançamentos e vendas para as classes média e alta em relação ao de produtos para a baixa renda. Isso porque a melhora de crédito tem sido direcionada para consumidores de unidades dos padrões médio e alto, ainda que o anúncio da desvinculação do subsídio do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida ao lucro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), feito em meados de dezembro, tenha trazido um certo alívio em relação às incorporadoras de baixa renda. Ontem, a Tenda divulgou que seus lançamentos aumentaram 57,5%, no quarto trimestre, na comparação anual, para R$ 835,8 milhões. As vendas líquidas cresceram 34%, para R$ 615,9 milhões. No ano, o VGV lançado pela incorporadora teve alta de 34,6%, para R$ 2,575 bilhões. As vendas líquidas aumentaram 10%, para R$ 2,039 bilhões, valor próximo ao centro da meta da empresa, que era de R$ 1,950 bilhão a R$ 2,150 bilhões. Os distratos cresceram 19,2%, no trimestre, para R$ 53,5 milhões, e 3,9%, em 2019, para R$ 199,8 milhões. Os dados de vendas de imóveis novos residenciais e lançamentos, na cidade de São Paulo, referentes a 2019 ainda não foram consolidados, mas as indicações são de que os indicadores tenham batido recordes no ano, segundo o Secovi-SP, o Sindicato da Habitação. Nos 12 meses encerrados em novembro, as vendas tiveram aumento de 48,6%, para 44.134 unidades, na capital paulista. No período, foram lançadas 53.545 unidades, com aumento de 41,2%, conforme informações da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) divulgadas pelo Secovi-SP. Dados da secretaria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de São Paulo apontam que o pagamento de outorgas onerosas (contrapartidas financeiras para que incorporadoras possam erguer empreendimentos além do potencial construtivo básico, até o limite do coeficiente de aproveitamento máximo) pelo setor imobiliário cresceu 2,21 vezes, no ano passado, em relação a 2018, para R$ 741,373 milhões. Essa expansão demonstra o aquecimento do setor, segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando Chucre. Preço dos imóveis residenciais novos sobe 4,11% em 2019 Fonte: R7 O preço dos imóveis novos comercializados em 2019 registrou alta de 4,11% no acumulado do ano. Em dezembro, a variação foi de 1,07%, quase o dobro do registrado no mês anterior. Os dados são do IGMI-R (Índice Geral de Preços Imobiliários – Comercial) da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) e foram divulgados nesta terça-feira (21). O aumento em 2019 é registrado depois de resultados que praticamente deixaram os valores nominais inalterados em 2017 (variação de -0,60%) e em 2019 (variação de 0,64%). De acordo com análise da Abecip, a variação do IGMI-R/ABECIP em 2019 "foi muito próxima à dos principais índices de preços ao consumidor no período, revertendo os resultados dos anos anteriores, em que ficou abaixo". No ano, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou variação de 4,31%, 0,56 ponto percentual acima dos 3,75% registrados em 2018. O índice mede a variação dos preços de produtos e serviços para o consumidor final e é considerado o índice oficial de inflação do país. Das dez capitais analisadas pelo IGMI-R, o destaque positivo é São Paulo, que registrou alta de 6,86% no ano e superou o IPCA. Mesmo voltando a registrar aumentos nominais nos preços dos imóveis residenciais, em 2019, o Rio de Janeiro foi o destaque negativo do levantamento ao atingir 1,29% de elevação nos valores dos imóveis em 2019. Todas as capitais apresentaram resultados positivos e em aceleração quando comparados os 12 meses de 2019 aos de 2018. Confira o resultado: • São Paulo (SP) - 6,86% • Goiania (GO) - 3,51% • Rio de Janeiro (RJ) - 1,29% • Porto Alegre (RS) - 4,23% • Salvador (BA) - 3,68% • Brasília (DF) - 4,05% • Fortaleza (CE) - 1,43% • Curitiba (PR) - 3,99% • Recife (PE) - 1,63% • Belo Horizonte (MG) - 2,00% De acordo com análise da entidade, apesar de sujeito a oscilações no final de 2019, o ritmo de crescimento do nível de atividade continua uma tendência de alta, que vai refletindo em indicadores do mercado de trabalho e de confiança de diferentes setores. Em seu boletim, a Abecip também destaca que a expectativa da construção civil é que este cenário, aliado a melhores condições de financiamento e à demanda represada nos últimos anos deve revigorar o setor em 2020. "Se confirmada essa expectativa, os efeitos sobre os preços dos imóveis residenciais devem ficar claros nos próximos meses, reforçando a tendência de aumento que por enquanto vem sendo verificada de forma mais forte na cidade de São Paulo", conclui. Portabilidade ajuda tomador a fugir do custo alto Fonte: Estadão O acirramento da concorrência no crédito imobiliário tende a ser benéfico tanto para novos tomadores que podem contratar os empréstimos pagando juros módicos como para mutuários com contratos em curso – que podem ser transferidos para outras instituições. É o que mostra reportagem do Estado publicada dia 20 de janeiro sobre a portabilidade do crédito imobiliário. O instituto da portabilidade permite a qualquer mutuário transferir o contrato de um banco para outro independentemente do prazo do empréstimo e das condições ajustadas. Como é natural, o tomador do empréstimo só pedirá a portabilidade se obtiver condições mais vantajosas. Condições melhores são viáveis num momento em que os principais agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) – Caixa Econômica Federal (CEF), Itaú, Bradesco e Santander, além do Banco do Brasil – buscam atrair mutuários com a oferta de juros cada vez menores. Entre os primeiros 11 meses de 2018 e de 2019, as transferências de dívida imobiliária aumentaram 175,43%, para R$ 1,46 bilhão. Ainda é um valor pequeno se comparado às operações totais do SBPE, de R$ 76 bilhões em igual período. Mas a expansão das transferências tem tudo para crescer nos próximos meses. Os interessados têm de avaliar com atenção os benefícios, começando pelo custo efetivo dos empréstimos. Nas contas do especialista em Matemática Financeira José Dutra Vieira Sobrinho, a prestação de um financiamento de R$ 500 mil feito dois anos atrás com taxa de 10% ao ano, hoje de R$ 4.229,39 pelo Sistema Price, cairá 22,4%, para R$ 3.282,05, se o juro for reduzido para 7% ao ano. “A diferença é brutal” em favor do mutuário, observa Dutra. O exemplo mostra a importância da queda do juro para as operações de longo prazo, caso do crédito imobiliário. O chefe do Departamento de Regulação do Banco Central (BC), João André Calvino Marques Pereira, sugere que o interessado em fazer a portabilidade avalie não apenas os juros, mas também os seguros e os serviços vinculados ao financiamento imobiliário, que também implicam custos. A portabilidade pode ser um bom caminho para os mutuários. Aos bancos que hoje abrigam os empréstimos, cabe a possibilidade de fazer uma proposta mais vantajosa na tentativa de preservar o mutuário.

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