Herdeiros da Nadir Figueiredo vendem megaterreno

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/09/2019 Herdeiros da Nadir Figueiredo vendem megaterreno Fonte: Valor, 04 set. 2019 Na área onde por mais de 80 anos funcionou a fábrica dos irmãos Nadir e Morvan Dias de Figueiredo há apenas vestígios do que antes eram os armazéns. A Nadir Figueiredo saiu em 2013 da Vila Maria, na zona norte de São Paulo. A venda desse terreno, do tamanho de 16 campos de futebol, e de outros passará a ser o principal negócio dos herdeiros da família, agora que o controle da empresa centenária é da H.I.G. Capital. Os imóveis da família têm valor de mercado de R$ 188 milhões, apurou o Valor. Imóveis são novo negócio dos herdeiros da Nadir Fonte: Valor, 04 set. 2019 Na área onde por mais de 80 anos funcionou a fábrica fundada pelos irmãos Nadir e Morvan Dias de Figueiredo há apenas vestígios do que antes eram os armazéns. A Nadir Figueiredo saiu da Vila Maria, bairro na zona norte de São Paulo, em 2013. Em fevereiro daquele ano, o último forno foi desligado e a produção de peças como o icônico copo americano foi transferida para Suzano, na Grande São Paulo. Por um vão em um dos portões, ainda hoje é possível ler numa placa: "Seja bem-vindo a esta empresa, onde o nosso compromisso com a qualidade inclui você!" A venda desse terreno, e de outros menores também na região, passará a ser o principal negócio dos herdeiros de Nadir e Morvan agora que o controle da companhia centenária foi assumido pela gestora americana H.I.G. Capital. A conclusão da venda foi anunciada na noite de segunda-feira pela Nadir Figueiredo e na manhã de ontem pela gestora. Os imóveis que pertencem à terceira geração da família somam quase 118 mil metros quadrados, equivalentes a 16 campos de futebol, com valor de mercado de, pelo menos, R$ 188 milhões, segundo fontes ouvidas pelo Valor. Às margens da Marginal do rio Tietê, a área principal tem quase 87 mil metros quadrados e é vizinha de um hipermercado e de lojas de material de construção. Cada metro quadrado do terreno vale, ao menos, R$ 1,6 mil, segundo especialistas do setor imobiliário. Em julho, quando foi anunciado que a H.I.G. Capital pagaria R$ 836,2 milhões pela fabricante de utensílios domésticos, a administração da Nadir Figueiredo informou que, antes da venda ser concluída, faria a cisão parcial dos negócios, com a separação de ativos não relacionados à atividade principal. A proposta foi aprovada por acionistas no dia 31 de julho. Desde então, os terrenos passaram a ser propriedade de uma nova empresa chamada de Caaci Imobiliária, da família Figueiredo, que se dedicará à compra, venda, permuta, administração e locação de bens imóveis. A gestora H.I.G. ficará com o negócio de utensílios de vidros e não terá relação com os imóveis, segundo Fernando Marques Oliveira, presidente do H.I.G. Capital para o Brasil e a América Latina. Os herdeiros tentam se desfazer dos ativos há tempos. Em 2012, os acionistas aprovaram a venda dos imóveis ou a realização de uma parceria para a construção de um empreendimento imobiliário. A família, no entanto, nunca chegou a um acordo com compradores. Procurada, a família não comentou. Segundo uma pessoa que negociou a compra dos terrenos há dois anos, o acordo não foi fechado porque um dos herdeiros queria que o pagamento fosse feito em dinheiro. Em negócios desse tipo, no entanto, é mais comum que seja oferecida algum tipo de compensação financeira, como o recebimento de parte do valor geral de vendas de um empreendimento imobiliário. Na época, a família começou a oferecer o ativo por R$ 2,5 mil o metro quadrado, mas reduziu o preço a R$ 1,8 mil, disse a mesma pessoa. As propostas de pelo menos quatro empresas já passaram pela mesa de negociação da Nadir nos últimos anos, apurou o Valor. Uma delas foi a da BR Malls que, em 2016, quase fechou um acordo para a construção de um shopping no maior dos terrenos. Além das exigências dos herdeiros, outro fator que atrapalhou a venda nos últimos anos foi a contaminação do local, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. O terreno é classificado atualmente pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) como "contaminado em processo de reutilização". Isso significa que no local "se pretende estabelecer um novo uso do solo, com a eliminação, ou a redução a níveis aceitáveis, dos riscos aos bens a proteger, decorrentes da contaminação", conforme a definição da agência. No relatório mais recente da Cetesb, de dezembro de 2018, consta que os donos já tomaram algumas medidas para remover materiais como metais e combustíveis automotivos. Na próxima etapa do processo, que não tem prazo para ser finalizado, a área será monitorada para que seja verificado se os níveis dos materiais contaminantes são aceitáveis. Resolvida a questão da contaminação, há outro fator que pode ser um entrave para a venda. Pelos parâmetros de ocupação da Lei de Zoneamento de São Paulo, a área em que o principal terreno está localizado pode abrigar construções de até 28 metros de altura - o que limitaria os possíveis usos do espaço. A saída, segundo especialistas do mercado imobiliário, é a venda para construtoras que desenvolvam ali projetos de habitação popular ou para logística. Helbor traz a marca W Hotels ao Brasil com projeto em São Paulo Fonte: Valor, 04 set. 2019 A Helbor vai lançar, na segunda quinzena deste mês, em parceria com a HBR Realty e a Toledo Ferrari empreendimento misto de luxo, na zona Sul da cidade de São Paulo, que marca a chegada da marca W Hotels ao Brasil. O projeto abrange o residencial W Residence, que será incorporado pela Helbor e pela Toledo Ferrari. A HBR, empresa de propriedades comerciais dos controladores da Helbor, fará o desenvolvimento do hotel. A Marriott, detentora da marca W, será responsável pela gestão do hotel. O Valor Geral de Vendas (VGV) do empreendimento ainda não está fechado, mas o preço médio por metro quadrado dos apartamentos residenciais ficará em torno de R$ 32 mil, segundo o diretor de vendas da Helbor, Marcelo Bonanata. Serão 261 unidades, com área de 53,75 metros quadrados a 102,15 metros quadrados. A incorporadora terá cerca de 60% da parcela residencial do projeto, e a Toledo Ferrari - responsável pela construção de todo o empreendimento -, cerca de 40%. Com 180 unidades, o hotel será mantido na carteira da HBR. O empreendimento de uso misto será desenvolvido no terreno de 6.068 metros quadrados localizado onde funcionou o espaço de eventos Via Funchal, na Vila Olímpia. A Helbor adquiriu a área há sete anos. As conversas para trazer a marca W para o Brasil começaram cinco anos atrás, e a inauguração do empreendimento está prevista para 2023. A incorporadora tem direito de uso da marca W no país. Nos últimos anos, assim como boa parte das incorporadoras, a Helbor fez poucos lançamentos e concentrou seus esforços na busca da redução de estoques, em decorrência do volume expressivo de distratos. No primeiro semestre, a companhia lançou R$ 273,2 milhões, com expansão de 68,8% na comparação anual. Além do empreendimento misto com a marca W, a Helbor vai apresentar mais dois projetos ao mercado em 2019. A companhia está avaliando que tamanho terá daqui para frente, decisão que passa, de acordo com o diretor, pelo entendimento da dimensão do mercado imobiliário na nova fase. Segundo o executivo, alguns projetos da Helbor estão sendo reformulados, e a tendência é que os lançamentos da incorporadora ganhem fôlego a partir de 2020. Com atuação tradicional nos padrões médio e alto, a companhia deve elevar sua fatia de empreendimentos destinada ao altíssimo padrão e a parcela de projetos na capital paulista. Cyrela Commercial Properties fará oferta primária de ações Fonte: Extra online, 03 set. 2019 A Cyrela Commercial Properties, braço de imóveis corporativos da construtora Cyrela, anunciou que teve autorização de seu conselho de administração para realizar uma oferta primária de ações. A oferta será coordenada por Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Morgan Stanley, J. Safra e XP Investimentos, segundo o fato relevante. O conselho também aprovou a exclusão do direito de preferência dos atuais acionistas da companhia na subscrição das ações a serem emitidas na oferta. Expansão imobiliária na zona leste de SP faz vila histórica desaparecer Conjunto de casas no Tatuapé tem processo de tombamento aberto após demolição quase total Fonte: Folha, 04 set. 2019 Na noite da última segunda-feira (2), ao longo da rua Airi, o ar cheirava a pó e a umidade. O odor emanava do que foi, até o fim de semana, a vila João Migliari. O que restava do conjunto de casas na Vila Gomes Cardim, distrito do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, foi ao chão às vésperas da reunião, ocorrida na tarde de segunda, em que o Conpresp, conselho municipal do patrimônio, decidiria estudar o tombamento das construções. Com a decisão, cinco casas ainda de pé ficam provisoriamente protegidas, até que se resolva por tombá-las, ou não. O conjunto original tinha 60 casas, dispostas em 3 fileiras de 20 casas, geminadas de 5 em 5. Duas fileiras voltadas para a rua João Migliari, e uma para a rua Estevão Pernet, cobrindo a extensão da rua Airi até a rua Itapura. Embora seja conhecida como vila operária João Migliari, tecnicamente se trata de uma vila de aluguel. Suas casas foram construídas nos anos 1950 para ofertar moradia à classe trabalhadora do bairro. Por meio século, preservaram seu aspecto praticamente inalterado, o que fazia com que a vizinhança pensasse que já faziam parte do patrimônio. A descoberta de que não era assim veio em 20 de fevereiro. O arquiteto Lucas Chiconi, 25, estava saindo da terapia, em uma das casas da Estevão Pernet, quando sua psicóloga lhe perguntou por que, se a vila era tombada, parte dela estava sendo demolida. Chiconi postou uma foto no Facebook e, a partir do que chama de “desabafo pessoal”, um movimento pelo tombamento foi se articulando. A fila de casas derrubada em fevereiro era uma das que se voltavam para a João Migliari. Ela foi adquirida pela Porte Engenharia e Urbanismo, incorporadora responsável pelo conjunto de empreendimentos residenciais e comerciais batizado de Eixo Platina, a “Berrini da zona leste”. Estavam na quadra que dará lugar a um empreendimento chamado Almagah 227, duas torres de uso misto com apartamentos que partem dos 20 m², por cerca de R$ 300 mil. “O Eixo Platina conseguiu ali minha primeira objeção”, diz Chiconi. Até então, recorda, a iniciativa de promover adensamento e serviços, com arquitetura de qualidade e ampliando empregos na região, só lhe parecia elogiável. “A Porte agiu de maneira legal, tinha os alvarás”, frisa. Mas, na sua opinião, não era preciso derrubar parte da vila. “Aquela linha de casas não afetaria a construção das torres”, diz o arquiteto, lembrando o caso da Casa Bandeirista do Itaim Bibi (zona oeste), hoje envolta pelo arco de um enorme conjunto comercial. No sábado (31), começaram a vir abaixo as 40 casas remanescentes. Não por obra da Porte, mas por decisão do herdeiro dos construtores da vila, Bruno Lembi, de quem a empresa comprou o primeiro terço demolido. Para Chiconi, a perspectiva da afluência na esteira do megaempreendimento pode ter fomentado em Lembi o desejo de transformar o que restava da vila em terreno livre para a exploração comercial. Se sobram hoje cinco sobrados, é quase graças ao acaso. Ivan Vasconcelos, 56, é dono do bar e barbearia Nostra Máfia, que funciona na casa na esquina da Airi com a Estevão Pernet. Investiu na reforma do local, aberto há cerca de três anos e meio, R$ 200 mil. Segundo Vasconcelos, o conjunto era muito cuidado pelo avô do atual proprietário, morto no ano passado. “Ele tinha tanto amor que não deixava a gente mudar a fachada, dizendo que era tombado.” Foi por isso que a vila preservou seu aspecto. “Todo mundo que tinha casa e comércio tinha que manter as janelas marrons, os vitrais, a cor.” No começo do ano, ele foi informado de que teria de desocupar o imóvel. Lembrando-se do tal tombamento, foi ao Condephaat, órgão estadual do patrimônio, para saber o que poderia ou não acontecer. E descobriu, então, que não havia tombamento. Todos os demais inquilinos começaram a sair, conta Vasconcelos, conforme venciam seus contratos, porque Lembi, neto do antigo proprietário, havia solicitado as casas. O empresário afirma ter tentado uma indenização pelo que havia investido. Mudar dali significava também um risco de perda de clientela. Não houve acordo, e Vasconcelos bateu o pé. Com uma liminar, evitou o despejo. No fim de semana, ao ver a demolição, acionou a polícia e a subprefeitura da Mooca —esta embargou a obra, que estava sendo realizada sem as devidas medidas de segurança, como tapumes. A multa de R$ 40 mil prevista nesse caso não impediu que o desmanche fosse retomado assim que o fiscal se ausentou do local. No domingo, 35 casas haviam se tornado uma pilha gigantesca de escombros. Como a locada por Vasconcelos está ocupada e forma com outras quatro um bloco estrutural, foram poupadas das bolas de demolição. Mas não das marretas. Na segunda, enquanto os membros do Conpresp ouviam o pleito pelo tombamento, as quatro casas de pé e desocupadas eram desmanteladas por dentro. Logo após a decisão do órgão colegiado, por volta das 20h, um fiscal foi enviado pela subprefeitura da Mooca para notificar o impedimento à demolição. Uma cópia da decisão do Conpresp foi também afixada à porta de uma das casas remanescentes. Pelas janelas, era possível ver, dentro dos sobrados, os capacetes dos operários e os instrumentos da demolição. Na manhã desta terça-feira (3), os homens voltaram. Foi preciso novamente a ação das autoridades para, por fim, segurar a destruição. A Folha procurou Bruno Lembi para que ele comentasse suas intenções com a demolição do conjunto e por que ela prosseguiu, mesmo com o embargo, ao longo do fim de semana. Por meio de seu advogado, a reportagem enviou perguntas a Lembi, não respondidas até a conclusão desta edição. Ao abrir o processo de tombamento, na segunda, o Conpresp aceitou também incluir no estudo outras duas vilas construídas pelos antepassados de Lembi e a ele pertencentes. Localizadas no distrito do Belém, também na zona leste, as vilas das ruas Marcos Arruda e Paula Andrighetti são mais antigas, da década de 1930, e, como sua irmã mais moça, são de aluguel. Para Chiconi, é importante preservá-las como lembrança de que os distritos da zona leste, entre os que mais crescem e se valorizam na cidade, não foram sempre ricos, e para evitar o apagamento da memória da cidade. Ele aponta o que vê como uma distorção trazida pelo Plano Diretor de 2014 ao propor o adensamento ao longo dos eixos de transporte, como na região da vila. “A gente precisa ter mais espaços de trabalho e sobretudo de moradia perto do metrô, trem, transporte de massa”, diz. Mas pondera: “De onde os bairros partiram? Dos eixos”. Então “quando a gente fala dos eixos, a gente fala de um embate com a parte histórica desses bairros”, completa ele, lembrando a expansão da zona leste ao longo da malha ferroviária. Para Chiconi, esse embate precisa estar articulado dentro do poder público. “O adensamento não tem que significar necessariamente o sacrifício da nossa história. Quando esses prédios completarem cem anos, qual vai ser a história que eles vão contar?”

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