Coliving: saiba se você está preparado para esse novo conceito de moradia

Compartilhar

Coliving: saiba se você está preparado para esse novo conceito de moradia Fonte: 6 Minutos Responda às questões abaixo: 1) Você gosta de ficar em seu círculo de amigos e família? Ou prefere ter a chance de conhecer pessoas? 2) Qual palavra te define melhor: consumista ou minimalista? 3) Você quer morar perto do seu trabalho e ficar menos tempo no trânsito? 4) Entre calma, silêncio e vida social agitada, você fica com qual opção? 5) Você se considera uma pessoa flexível ou é alguém que gosta de tudo do seu jeito? 6) Você concorda com essa frase: “Não preciso ter certos objetos que uso apenas esporadicamente. Posso emprestá-los”? 7) Você usa diferentes tipos de transporte, como bicicleta, metrô, ônibus, patinete? 8) Espaço não é tão fundamental quanto funcionalidade: Você concorda com essa frase? 9) Você pretende morar sozinho no curto prazo? Se você respondeu sim para as questões 3, 6, 7 , 8 e 9 considere-se apto a morar em um coliving. Não, não é uma república, um kibutz ou uma pensão. Passa longe disso. É um conceito de moradia que foi criado em Londres, no período entre guerras, mas resgatado recentemente – e que já chegou a algumas capitais brasileiras, como São Paulo e Porto Alegre. Geralmente, eles ficam em prédios altos, com mais de 200 apartamentos e áreas que variam de 20m² a 65 m². A diferença está nas partes comuns: além dos tradicionais salão de festa, piscina, garagem, e churrasqueira, há esse sistema de moradia oferece muito mais ambientes e serviços, como lavandeira, coworking, bar, cozinha gourmet, bicicletário (com bicicletas comuns e elétricas alugáveis), automóveis e motos compartilháveis, academia, sala de ioga. bilhar, salão de beleza, armários para grandes pertences, sala de TV, lounge… “Os moradores são incentivados a usar e a permanecer mais tempo nas áreas comuns, seja conversando, trabalhando ou cozinhando”, diz o gerente comercial Ricardo Pajero, da imobiliária MAC, que lançou em junho de 2018 o coliving Loadd, com entrega prevista para 2021. Segundo ele, cinquenta pessoas acamparam em frente ao plantão de vendas no dia do lançamento para garantir uma unidade. O condomínio terá duas torres de 15 andares, com 12 apartamentos em cada um. No total, são 372 unidades. “Vendemos tudo no primeiro final de semana depois do lançamento”, lembra ele. Os apartamentos variam de 25 m² a 65 m². “Todas as áreas comuns ficam logo na chegada, com paredes de vidro. “Ao chegar, o morador é obrigado a passar por elas e interagir”, explica Pajero. O empreendimento terá coworking, academia, bar, piscina e serviços de empréstimo de batedeira, furadeira, malas para viagem, bicicleta e fica ao lado do metrô São Judas, em São Paulo. Perfil de público O coliving costuma atrair dois tipos de público: pessoas mais jovens, geralmente profissionais em início de carreira e também os maiores de 60 anos. “São pessoas que não querem ficar sozinhas, que gostam de conviver com os outros”, diz Pajero. Esse é exatamente o perfil do baiano Júlio Bastos, 31, gerente-geral de operações de um startup, que há um ano mora no VN Quatá, um coliving da construtora Vitacon a poucas quadras do seu trabalho. “Eu morava em um apartamento enorme, de 130 m²na Bela Cintra e comprei uma unidade de 23 m² nesse prédio só para investir. Jamais pensei em morar lá, achava muito pequeno”, conta ele. Só que Júlio começou a se cansar de “sustentar” um grande apartamento. “Pagava faxineira três vezes por semana, uma conta de luz de mais de R$ 360. Tinha que ir ao supermercado toda hora comprar produtos de limpeza e comida para a empregada. Tudo isso começou a pesar, já que eu passava a maior parte do tempo fora, no trabalho”, lembra. “Vendi meu carro, uso o automóvel compartilhado do prédio quando preciso e agora gasto R$ 40 por mês de luz. Calculo que estou economizando pelo menos R$ 16 mil reais morando aqui”, diz Júlio, que gostou tanto do conceito de coliving que se tornou síndico do prédio. “Se estou cozinhando algo e descubro que não tenho creme de leite, pergunto se alguém no grupo de moradores pode me emprestar e pronto”, conta. “Organizamos festas na piscina com os vizinhos, noites de comida japonesa. Adoro morar aqui.” Mas não é para todo mundo Mas nem todo mundo se adapta. Giuliana Cabral, 22 anos, que também trabalha em uma startup, morou seis meses em um coliving de 30 m² na Vila Olímpia, em São Paulo. “Eu adorava. Espaço não fazia falta, porque é tudo muito bem pensado e funcional”, lembra ela, que voltou para a casa dos pais, na zona norte de São Paulo. “Resolvi mudar para o prédio, no início, porque passava três horas no trânsito todo dia para ir trabalhar na região da Berrini”, lembra Giuliana, que pagava R$ 3.000, entre aluguel e condomínio. “Mas era barulho demais, tinha festa toda hora”, relata. “O maior problema, entretanto, era a garagem. Nunca tinha vaga. Muitos moradores não têm carro, por isso o prédio aluga as vagas para pessoas de fora e várias vezes tive que deixar o meu na rua”, afirma. Gastos extras com serviços Morar em um coliving, segundo o engenheiro civil Alexandre Lafer Frankel, dono da construtora Vitacon, não sai caro. O argumento é os prédios geralmente têm muitos apartamentos e os custos são diluídos. Quase todos os projetos da Vitacon no momento são de colivings, como o VN Quatá. Só no ano passado, a empresa lançou 2.000 unidades e vendeu mais de 1.600. Em 2017, foram vendidos R$ 830 milhões em novas unidades. O montante saltou para R$ 1,23 bilhão em 2018 e a previsão para este ano é chegar a R$ 2,31 bilhões. O condomínio de um coliving tem gastos extras inclusos. O mais importante deles é o salário do pessoal, uma vez que um coliving exige a presença recepcionistas e de um gerente, um profissional mais qualificado que o zelador comum. “Eles, além de gerenciar o uso de todas as áreas, funcionam como um ‘concierge’, ajudando os moradores”, explica Julio Bastos. Esses custos, porém, podem valer a pena, como será o caso do estudante de medicina Pedro Guilherme Hannun, que vai se formar e mudar para o Loadd, assim que o prédio ficar pronto, em 2021. Seu pai, Walter Hannun, também médico, comprou uma unidade para ele. “Pedro vai morar e também poderá atender no prédio, sem precisar alugar um consultório, o que no início de carreira é muito pesado”, afirma. Bradesco vai ficar com mais de 50% de torres da Odebrecht no Porto Fonte: O Globo A Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR), que ficou fora do processo de recuperação judicial da Odebrecht S.A (ODB), está prestes a dar mais um passo rumo à redução de sua dívida. A empresa costura a venda para o Bradesco de 50% do Porto Atlântico , projeto comercial no Porto do Rio. A transação, equivalente a R$ 250 milhões, vai cobrir parte da dívida que a OR tem com o banco, que financiou a construção do empreendimento concluído em meados de 2016, disse uma fonte próxima às negociações. O Porto Atlântico é formado por uma torre comercial com 330 salas, uma torre corporativa com 54 unidades (grandes pavimentos para serem ocupados por empresas), 50 lojas e dois hotéis, atualmente operados com as marcas Ibis e Novotel, da companhia francesa Accor, somando 450 quartos. Na entrega da obra, o conjunto somava R$ 270 milhões em valor de vendas. Integraria um complexo ainda maior da OR no Porto, que acabou reduzido após a crise que se abateu sobre a holding Odebrecht, envolvida na Operação Lava-Jato. O grupo pediu recuperação judicial em junho. – É uma operação simples, em vias de fechamento. O Bradesco financiou a construção do Porto Atlântico. Então, parte do estoque que ficou do projeto está sendo usada para quitar a dívida com o banco – definiu essa fonte de mercado. Na prática, o Bradesco vai ficar com mais da metade do Porto Atlântico, o que inclui 70% da torre corporativa, que tem uma área total de 30 mil metros quadrados, até hoje não ocupada. A operação dos hotéis não será afetada pela transação. Negociação mais ágil No mercado imobiliário carioca, a transação, que ainda não foi divulgada oficialmente, já é tida como um alento para a região portuária, cuja revitalização imobiliária ainda não decolou. – Toda solução encontrada por empresas e negociada com bancos e que permita a retomada de atividades é uma boa notícia – avalia Claudio Hermolin, presidente da Ademi-RJ, que reúne as construtoras no Rio. A taxa de vacância no mercado de escritórios do Rio chegou a 37,8% no segundo trimestre do ano, à frente dos 36,5% registrados de janeiro a março. No período, o mais alto percentual de imóveis desocupados na cidade foi registrado no Porto Maravilha: 60%, segundo dados da consultoria Newmark Grubb. No entanto, já há melhora em relação a 2018, quando o índice chegou a atingir 75,1% em junho. Plano de compra da AHS divide MRV e mercado Fonte: Valor, 06 set. 2019 A decisão da MRV Engenharia de assumir o controle da AHS Residential, empresa americana de propriedades residenciais para locação, será importante para a diversificação dos negócios, mas pode ser um obstáculo para a empresa e ter efeitos negativos no retorno aos acionistas, segundo as equipes de análise de dois bancos. A opinião é contestada pela administração da MRV, que vê na compra a oportunidade de ampliar sua atuação para outros mercados. Em relatórios divulgados a clientes ontem, os analistas do Bradesco BBI e do Itaú BBA manifestaram preocupações parecidas em relação à investida internacional. Para o Bradesco BBI, a compra pode ser uma distração para uma empresa que enfrenta atualmente uma "difícil batalha" para alcançar seu plano de crescimento, ao mesmo tempo em que vê concorrentes como Direcional e Tenda apresentarem melhores métricas. O Itaú BBA lembra que a empresa possui grandes projetos em estágio inicial, como a plataforma de locação de imóveis Luggo, e diz que a aquisição poderá tornar a estrutura da MRV ainda mais complexa, além de ter efeitos negativos na política de dividendos nos próximos anos. Na manhã de ontem, a administração da MRV usou pouco mais de duas horas para explicar em uma reunião com investidores e analistas os motivos para a compra e os resultados esperados com a transação. Rafael Menin, copresidente da companhia, defendeu a aquisição afirmando que ela não deve prejudicar o crescimento da operação brasileira, nem afetar o retorno dos acionistas. "Não vamos perder o foco", disse ele. "O acionista da MRV vai olhar para trás e ter a certeza de que foi um negócio bem feito." A administração da empresa afirmou que a MRV utilizará até R$ 580 milhões em crédito fiscal na desembolso da operação e que a alavancagem da companhia não deve fugir do patamar dos 10% ao ano. Além disso, segundo diretor financeiro da empresa, Ricardo Paixão, a política de dividendos não deve ser afetada. Na sessão anterior ao anúncio, já com a perspectiva da aquisição da AHS e as preocupações em torno de um eventual conflito de interesses - assim como a MRV, a AHS tem a família Menin como controladora - a empresa foi penalizada pelos investidores. Em um único dia, a construtora perdeu R$ 542 milhões em valor de mercado, com a queda de 6,4% nas ações. Ontem, os papéis devolveram parte da perda, com avanço de 1,41%, para R$ 17,97. Na avaliação de Rubens Menin, fundador e presidente do conselho da MRV, o mercado interpretou de forma errada a compra, com o surgimento de informações antes do anúncio oficial. Ele defendeu que os riscos para a companhia com a aquisição são baixos, considerando a capacidade de execução da AHS. A MRV estima uma taxa de retorno de 20% com a operação, um percentual que até pode ser superado nos próximos anos, segundo cálculos do Itaú BBA. A expectativa é que a companhia americana se torne um negócio relevante dentro da plataforma da MRV. Os planos são que, em 2028, a americana seja uma empresa de 5 mil unidades por ano, ante as 600 projetadas para 2019 e as 1 mil previstas para 2020. Para efeito de comparação, a MRV produz pouco mais de 40 mil unidades por ano. O lucro líquido anual da brasileira é da ordem de US$ 200 milhões. Na apresentação, Rafael Menin disse que espera que a AHS chegue "ao tamanho da MRV" nos próximos anos e que o valor de mercado de ativos passe de US$ 241 milhões atuais para US$ 3,91 bilhões em 2028. O crescimento da companhia americana deve ser baseado no controle de custos, no ganho de sinergias e no aproveitamento de um segmento imobiliário voltado para famílias com faixa de renda anual de US$ 35 mil a US$ 75 mil, ainda pouco explorado por outras empresas do ramo, segundo Menin e Ernesto Lopes, presidente da AHS. "Eventualmente", diz o presidente da MRV, "a AHS poderá abrir capital". Para Rafael, a AHS também pode ser beneficiada pelo fato de ter controle de toda cadeia produtiva, sendo responsável desde a compra do terreno até a gestão dos imóveis alugados. "Além disso, o mercado de aluguel tende a ser mais protegido, mesmo em momentos de crise", acrescentou, referindo-se a uma possível queda da atividade econômica americana. Atualmente, a empresa concentra sua atuação no Estado da Flórida, mas já tem planos traçados de expansão para Atlanta, capital da Georgia, e Houston e Dallas, no Texas, além de estudar operações em Denver e Phoenix, no Colorado e no Arizona, respectivamente. "Nossas opções são baseadas em áreas metropolitanas, com variedade de empregos e projeção de crescimento econômico", diz Lopes. A construtora pagará a maior parte da operação com recursos a serem captados no exterior por meio de holding que está sendo criada. O desembolso será em três etapas. A captação da primeira tranche, de US$ 46 milhões, será feita após a compra ser aprovada em assembleia geral extraordinária (AGE), em 4 de outubro, e possibilitará que a MRV passe a ter 20% da AHS. Em 2021, a participação da MRV na americana chegará a 51%, mas o pagamento pela fatia adicional será feito em duas parcelas, a serem desembolsadas entre abril de 2021 e dezembro de 2022. Os dois pagamentos somarão de US$ 180 milhões a US$ 200 milhões, dependendo da obtenção dos resultados do plano de crescimento da AHS. Após aquisição nos EUA, MRV pode acelerar internacionalização Apesar de compra ter gerado temor de conflito de interesses, Menin diz que acordo deve iniciar uma ‘plataforma mundial’ Fonte: O Estado de S.Paulo, 06 set. 2019 A compra da construtora AHS Residential, nos Estados Unidos, pode ser o primeiro passo para uma atuação global da MRV Engenharia. “Pretendemos ser uma plataforma mundial de construção”, afirmou o controlador do grupo, Rubens Menin, em entrevista ao Estadão/Broadcast. A MRV vai investir US$ 236 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) para ficar com 51% na AHS, empresa fundada e controlada por Menin. A medida causou desconfiança de acionistas, que viram possível conflito de interesses. A ação fechou em queda de mais de 6% no pregão de quarta-feira, mas se recuperou na quinta, com alta de 0,79%. Na quinta-feira, 6, Menin convocou reunião com analistas e investidores para explicar que a operação foi endossada por um comitê independente com quatro membros e pelo conselho de administração. Falta agora a aprovação dos acionistas na assembleia marcada para 4 de outubro. Questionado se vai votar na assembleia, não quis comentar. Menin detém 32,6% da MRV. É, portanto, decisivo em qualquer deliberação. O executivo também ressaltou que todos os recursos investidos na AHS vão para projetos. “Não estou botando nenhum dinheiro no bolso. Tudo está entrando na empresa”, disse. Os atuais acionistas da AHS – Rubens Menin (95%) e o fundo Silverpeak (5%) – não venderão ações, sendo diluídas para 46,3% e 2,7%, respectivamente. Os resultados da AHS aparecerão no balanço da MRV já no quarto trimestre. O investimento virá de recursos próprios da MRV, que tinha R$ 2,5 bilhões em caixa no fim de junho. Aposta Com a AHS, fundada em 2012, Menin acredita que pode ser competitivo em um segmento onde diz haver pouca concorrência: a construção de moradias para pessoas de classe média baixa nos EUA. Esse segmento, disse ele, é hoje atendido apenas por empresas regionais, sem escala. Ao contrário da MRV, a AHS aluga os apartamentos, em vez de vendê-los. A companhia atua em todo o ciclo: compra de terrenos, desenvolvimento de projetos, construção, locação, administração dos prédios e venda a fundos de investimento. O plano para a AHS é ampliar o portfólio de apartamentos sob gestão de 700 unidades, em 2019, para 5 mil, em 2023, quando se concretiza o novo ciclo de investimentos. Além de Miami, a previsão é ir para Atlanta, Dallas, Houston e Denver. A ocupação dos imóveis, segundo a AHS, é hoje de 97% dos imóveis e a inadimplência está abaixo de 1%. A receita da companhia com locações é de US$ 20 milhões. A previsão é de fechar o ano com lucro líquido de US$ 6 milhões – resultado auxiliado pela venda de um prédio a um fundo de investimento. Apesar do otimismo do empresário, analistas ainda entendem que a empreitada embute riscos. “Se o mercado lá é tão lucrativo, por que ninguém fez isso até agora?”, questionou um profissional. Outro analista teme que a MRV possa perder o foco das operações nacionais. “O mercado aqui está cheio. Se de alguma forma perderem o foco vão ser ultrapassados.” Com boom em bairros ricos, prédios superam casas em área construída Conta inclui soma de residência e comércio; só Itaim Bibi registrou 165 estádios do Pacaembu em novas construções Fonte: Folha, 06 set. 2019 Cercado por prédios, o pequeno sobrado branco ostenta uma placa de "aluga-se" em uma rua estreita no Itaim Bibi. Do outro lado da rua, o estande de vendas anuncia mais um empreendimento de luxo. As construções horizontais que sobraram parecem deslocadas, como se estivessem à espera de um prédio envidraçado para tomar seu lugar. Em 25 anos, em metros quadrados, o Itaim Bibi foi o bairro onde mais se construiu na cidade de São Paulo. São 10 milhões de m², o equivalente a 165 estádios do Pacaembu. Se na periferia houve acelerado crescimento proporcional, os campeões nos números absolutos de metros quadrados construídos são bairros tradicionalmente ricos ou que se tornaram cobiçados para empreendimentos de alto padrão, como Moema, Tatuapé e Santana. Os 10 primeiros distritos (a cidade tem 96) da lista foram o destino de um a cada quatro tijolos assentados na cidade. Apesar de os bairros contarem com infraestrutura melhor do que a encontrada em boa parte da cidade, as mudanças que trouxeram desenvolvimento também arrastaram uma série de efeitos colaterais. Trânsito, barulho, sombra dos arranha-céus e falta de áreas verdes são algumas das reclamações de quem vive por ali. "Nos oito anos que vivo aqui, peguei alguns prédios em construção ao redor de casa. Eles chegavam a parar 14 caminhões de uma vez na frente da minha garagem", diz o DJ Victor Bauer, 37, morador de uma casa isolada entre prédios no Itaim. Ele afirma sentir uma complacência em relação à fiscalização desses empreendimentos, que podem infernizar a vida dos moradores. Apesar disso, ele diz gostar do bairro, pela proximidade da infraestrutura e pela segurança, fatores citados por outros moradores dali. Outra vantagem apontada é poder ir a vários pontos a pé, em uma região onde ruas estreitas foram inundadas por carros, motos e, agora, patinetes. Especialistas consideram natural que bairros bem localizados e estruturados passem por processo de adensamento, mas afirmam que não houve cuidados para evitar os efeitos colaterais desse processo. "Ao longo das décadas, alguns bairros foram eleitos como a bola da vez e sofriam um efeito de manada. Itaim Bibi e Moema passaram por vários momentos desses", diz o urbanista Kazuo Nakano, da Unifesp. "O problema é o planejamento. A gente não teve uma lógica mais racional baseada na infraestrutura do sistema viário", diz. Nakano afirma que a preocupação ganhou forma de política pública a partir do plano diretor aprovado em 2014, na gestão de Fernando Haddad (PT), que estimula adensamento nos eixos de transporte. A gestão Bruno Covas (PSDB) tenta flexibilizar a regra que limita prédio no miolo de alguns bairros. No Itaim, os imóveis residenciais horizontais caíram 25%, enquanto os verticais decolaram —apartamentos de alto padrão subiram 142% e os voltados a comércio e serviços, 381%. Parte das áreas com aumento de construção faz parte dos trechos de operações urbanas como a Águas Espraiadas e Faria Lima. As operações urbanas são instrumentos urbanísticos que, em troca da permissão de maior adensamento das regiões, negociam créditos que vão para um fundo. O valor é usado pelo poder público para melhorias na mesma região, que vão de obras viárias a unidades habitacionais de interesse social. Para a urbanista Lucila Lacreta, do movimento Defenda São Paulo, a cidade de São Paulo acabou deixando as questões social e urbanística para atender apenas aos interesses do mercado imobiliário. "Cria-se esgotamento do uso do solo sem contrapartida para que seja um lugar mais ameno e agradável", diz. "O mercado pode até atender aquela demanda para comércio e serviço, mas não atende para saúde, educação, lazer, áreas verdes", completa. Na esteira do boom imobiliário da última década, em metros quadrados, as construções verticais passaram as horizontais no ano passado, somando dados de residências, comércios e serviço. A alta é puxada pelo forte aumento de apartamentos residenciais de médio e alto padrão. Em número de lotes, as residências verticais passaram as horizontais em 2012. Hoje, são 1,5 milhão contra 1,3 milhão. Em m², os comércios verticais permanecem um pouco atrás dos horizontais, mas com viés de alta. A maioria do terreno da cidade, no entanto, permanece ocupada por imóveis horizontais. Representante da área de urbanismo do Secovi (sindicato que representa o mercado imobiliário), Ricardo Yazbek afirma que a cidade ainda é pouco adensada em relação a outras no mundo (hoje, tem cerca de 8.000 habitantes por km²). "Paris, por exemplo, tem 21,3 mil habitantes por km² e a ilha de Manhatan tem 27 mil habitantes por km²", diz ele. Para Yazbek, as operações urbanas foram bem-sucedidas na requalificação das regiões onde foram aplicadas. Ele admite que há um problema de mobilidade da cidade, mas afirma ver algumas das críticas à verticalização como manifestações de pessoas pensando em interesses individuais. O integrante do Secovi cita o acrônimo Nimby, para a expressão em inglês "not in my backyard" (não no meu quintal), usada para designar o protesto a projetos que afetam alguma vizinhança mas que podem ser benéficos à cidade. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano da gestão Covas afirma estar trabalhando em 19 projetos de intervenção urbana (PIUs) na cidade, que devem melhorar problemas urbanísticos resultantes do crescimento desordenado. Assim como as operações urbanas, os projetos vendem créditos, que deverão ser usados em intervenções nas áreas onde forem aplicados. Segundo a administração, há previsão de novos parques, praças, ações de arborização urbana, obras de mobilidade urbana com foco no transporte coletivo e construção e qualificação de habitações de interesse social.

Temos o imóvel perfeito para você

Rogério Sátiro

Creci 81.361-F

Atendimento: Segunda à Sexta das 9h00 às 18h:00 - Sábado das 9h00 às 13h00

, Vila Mariana, São Paulo - SP